Vinícola Góes

O vinho é a única bebida que aquece o corpo e a alma. Marcel Gomes, 35 anos, brasileiro, belorizontino, casado, gastrônomo, WSET2 - Wines & Spirits Certified. Criador do perfil no Instagram @bacchusdeminas, idealizado para ajudar as pessoas a desburocratizar o mundo do vinho e quebrar paradigmas que o envolvem. Sou apaixonado pelo mundo da gastronomia e levo sempre as palavras de Cristina Brayner: " A arte culinária é a única que atua sobre os cinco sentidos, e a boa comida é aquela que mexe com você inteiramente, instiga sua mente, sua criatividade, enche os olhos e a boca, provoca sua percepção, leva você a lugares apenas imaginados. É harmoniosa, transparente e misteriosa, delicada e elegante. "

 

Em setembro, a Bacchus de Minas visitou o roteiro do vinho de São Roque (SP). Antes, deu uma paradinha em Andradas (MG) para conhecer duas vinícolas.

A primeira visita foi na vinícola Boutique Stella Valentino, do querido amigo Sr. Procópio. Ele deu uma aula sobre a produção do vinho de dupla poda, também conhecida como poda invertida.

O agradável e receptível anfitrião começou com uma visita aos parreirais passando pelo processo de engarrafamento e finalizando em sua adega com uma bela degustação.

Degustamos os dois principais rótulos. O primeiro deles foi o Modestus, rótulo da uva Syrah. No nariz, traz frutas vermelhas maduras, especiarias e um terroso.

Na boca, notam-se as frutas vermelhas, é elegante, de corpo médio, taninos equilibrados e macios, acidez equilibrada, sem álcool aparente, boa persistência.

O segundo foi o Angelus, expressão máxima do terroir com uma produção de apenas 1.614 garrafas.

O rótulo é da uva Tempranillo. No nariz, ele traz frutas negras, defumado, madeira.

Na boca, mostra-se um vinho encorpado, redondo, aveludado, taninos equilibrados e macios, acidez equilibrada, sem álcool aparente, uma longa persistência em boca.

Como bons mineiros que somos, a nossa prosa foi além do mundo do vinho. Um final de tarde inesquecível.

Os saborosos vinhos da vinícola Stella Valentino demonstram todo amor e dedicação do Sr. Procópio ao vinho brasileiro. Muito obrigado meu amigo.

 

No dia seguinte, antes de seguir rumo a São Roque (SP), visitamos a vinícola Casa Geraldo. Grande indústria do vinho mineiro, a Casa Geraldo é um local com uma bela estrutura.

Por ser dia de semana e a visita guiada, de segunda a sexta, somente é feita mediante agendamento, não conseguimos fazer todo percurso. Mesmo assim, conseguimos degustar os vinhos, conhecer a loja e passear pelos parreirais.

Em Andradas, uma dica de hospedagem é o recém-inaugurado Hotel Dela Inn. Aberto ao público em setembro/19, o hotel possui boas acomodações, bom atendimento e uma ótima localização.

Chegando em São Roque (SP), fomos direto para a deliciosa pousada Sitio da Terra e Arte, localizada no final do roteiro do vinho. Que lugar delicioso! Recomendo a estadia, os chalés e a receptividade dos proprietários.

Sem contar que toda a alimentação oferecida na pousada é de produção própria ou de algum produtor local. A prosa boa com os proprietários no café da manhã foram inesquecíveis. Depois de tanto bater papo e comer as delícias da pousada, fomos fazer o roteiro do vinho.

 

No site www.roteirodovinho.com.br, você consegue o mapa de todo o percurso. Mencionarei apenas as vinícolas visitadas pela Bacchus de Minas que chamaram atenção positivamente. Afinal, apenas as coisas boas merecem ser ressaltadas, não é mesmo? Então vamos lá.

É importante destacar que a maioria das vinícolas produzem as suas uvas vitis vinífera, que são utilizadas para fazer o vinho fino no Rio Grande do Sul (RS), mas toda a vinificação é feita em São Roque. No município, predomina o cultivo das uvas americanas, que são utilizadas para fazer os vinhos de mesa e os sucos.

A primeira vinícola a ser destacada é a vinícola Goes. A maior das vinícolas do roteiro do vinho de São Roque, a Goes produz vários rótulos de vinhos finos, vinhos de mesa, espumantes, sucos de uva, além da cerveja de uva. As uvas finas são cultivadas no RS, em MG e em São Roque também. Já a uvas para vinhos de mesa e para suco são cultivadas apenas em São Roque. A vinícola oferece visita guiada para os visitantes em todo o complexo do vinho. Além da visitação, eles possuem um bom restaurante, uma lojinha de lembranças, uma loja de chocolates e um boteco.

A próxima parada foi a Quinta do Olivardo, que é um restaurante e uma adega. Lá, encontramos os vinhos dos mortos. Mas não se assustem.

Eles recebem esse nome porque são enterrados na vinícola durante seis meses a 7 palmos de terra. Isso mesmo! Os vinhos ficam enterrados por meio ano.

Essa tradição foi trazida pelo senhor Olivardo, que é descendente de portugueses. Segundo ele conta, na época das invasões napoleônicas em Portugal os portugueses enterravam os seus vinhos para não serem saqueados pelas tropas inimigas.

Com o passar do tempo, foi notado que os vinhos evoluíam muito bem em garrafa, devido as condições ideais para tal feito: temperatura constante e sem contato com a luz.

E isso podemos notar ao degustar os vinhos dos mortos. Sabor diferenciado que, segundo o senhor Olivardo, é possível porque os vinhos dos mortos traz alegria para os vivos.

 

 

Continuando o roteiro, fomos na vinícola Ferreira & Passero. Que lugar lindo e peculiar!

Um casarão antigo, todo conservado, com cerca de 200 anos. Uma preciosidade que é uma vinícola boutique. Lá, todas uvas são plantadas no local. Há um vinhedo com aproximadamente 6.000 pés de uvas divididas entre uvas de mesa e vítis vinífera. Entre as vítis viníferas estão: Caberner Franc, Sauvignon Blanc, Malbec, Tempranilho e Lorena. La também encontramos um exemplar dos vinhos dos mortos.

A difernça é que esse passou dois anos enterrado. Infelizmente, não conseguimos degustar devido o número restrito de garrafas, mas adquirimos um exemplar e, em breve, postarei minhas impressões no perifl da @bacchusdeminas, no instagram. Dos rótulos que degustamos na Ferreira & Passero destaco o Cabernet Franc. Pena que o proprietário não estava na hora da nossa visita.

Deixamos esse papo para uma próxima vez.

 

A outra vinícola que conhecemos foi a vinhos Frank. Entre os rótulos degustados, ganhou destaque o vinho da uva Tannat.

No nariz, ele se mostra muito frutado, traz aroma de frutas vermelhas maduras, groselha e não tem álcool aparente. Na boca, apresenta corpo médio, taninos e acidez equilibradas. Traz novamente a presença das frutas vermelhas e não apresenta álcool aparente. Uma boa opção com um ótimo custo-benefício. Além da adega, o local tem um restaurante, um barzinho e um playground para as crianças.

Logo ao lado da vinícola vinhos Frank, tem a Adega Terra do Vinho.

Um local muito bem estruturado e bonito com vários rótulos disponíveis. Aqui, nos chamou atenção um rótulo também da uva Tannat.

Esse vinho se mostrou no nariz frutado, com destaque para as frutas vermelhas, não tem álcool aparente. Na boca, apresenta corpo médio, com taninos bem robustos, acidez equilibrada, as frutas vermelhas aparecem novamente e sem álcool aparente.

 

 

Fomos também na vinícola Casa da Árvore. Local agradável, com trilha, tirolesa para que quiser se aventurar e uma verdadeira casa da árvore, que dá nome ao espaço. Lá, eles só fazem vinhos de mesa e um saboroso suco de uva. Os vinhos finos ficam por conta de uma parceria com a vinícola Batistello, do Rio Grande do Sul.

A última vinícola do roteiro foi a vinícola Palmeira. Também possuem uma boa estrutura. Igual a Casa da Árvore, eles só produzem vinhos de mesa e suco. Os vinhos finos são uma parceria deles com a vinícola Valdemiz, do Rio Grande do Sul.

Foi uma experiência maravilhosa. Alguns lugares ficaram sem visitar pelo curto tempo como Vinhas Santa Cecilia, Vinhos Real D’ouro, Vinhos Sorocamirim, Vinícola Bella Aurora, Vinícola Cangueira e Alma Galiza, além de vários restaurantes.

Viva o vinho brasileiro! Como fala o querido Leandro Baena o Choro da Videira: “bebo vinho brasileiro não porque é brasileiro, e sim porque é muito bom!”

Vamos valorizar a nossa produção, mais vinho e menos enochatiche! Mande para gente o assunto que você tem uma dúvida e gostaria de saber. Basta enviar para o e-mail bacchusdeminas@gmail.com ou no direct do insta @bacchusdeminas.

No mais saúde a todos.

 

 

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