Vinho de corte ou varietal

Descobri o prazer de mergulhar no mundo fascinante dos vinhos já há quase três décadas, e foi paixão à primeira taça. Desde então, dedico-me ao conhecimento e aprendizado dessa maravilhosa e fascinante bebida, desvendando a cada dia diferentes sensações e experiências únicas, que só mesmo o vinho é capaz de proporcionar. Consegui aliar o prazer ao trabalho, prestando assessoria, consultoria e hoje desenvolvo cursos na área de vinhos, espumantes e harmonização enogastronômica, fazendo um trabalho inovador, diferenciado e profissional, com destaque ao serviço especializado de vinhos executado pelo sommelier. Saúde!

A expressão de um vinho reflete inúmeros aspectos que vão desde a escolha e preparo do solo, do tipo de uva, forma de cultivo, colheita mecânica ou manual, o processo de produção utilizado e finalmente o engarrafamento e acondicionamento nos pontos de venda.

Ainda temos aspectos importantes que influenciam a qualidade do vinho, como variações climáticas, que podem resultar em safras não tão boas para a produção e outras muito boas que costumamos chamar de safras excepcionais e que certamente farão história para o enólogo, o produtor, como também proporcionarão taças memoráveis para os enófilos!

Mas além dos fatores já relacionados acima, também interagem no resultado final de um vinho, as alquimias que o enólogo sabiamente arquiteta, respeitando sempre a natureza e tornando-o uma experiência única quando degustado.

 

E é nesse momento que entram em cena os chamados VINHOS DE CORTE! E para entendê-los precisamos entender também o significado da expressão VINHO VARIETAL.

Taí um assunto que gera muita curiosidade quanto degustar um rótulo da China ou Bali, na Indonésia! E eles existem, pode acreditar!

E descobrir se um vinho é um corte ou um varietal não é missão das mais fáceis, pois somente no visual fica complicado … então vamos entender um pouco melhor a diferença entre ambos.

Vinhos de corte, assemblage (termo francês) ou blend (termo inglês), são vinhos feitos com diferentes tipos de uvas. Eles são elaborados com duas ou mais cepas distintas, onde se busca como resultado final um vinho mais equilibrado e complexo (ou então conferir até mesmo certa suavidade, e isso depende da intenção do enólogo).

Como exemplo mais clássico de vinhos de corte temos os rótulos de  Bordeaux, na França, que normalmente no caso dos tintos, misturam a Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc.

Outras cepas também podem aparecer como a Petit Verdot, Malbec, Carménère, Tannat ou Syrah. A lista é longa… rsrsrs

Já um vinho varietal, monovarietal ou monocasta (como queiram, a escolha é do freguês), significa em enologia, o vinho elaborado com um único tipo de uva.

Entretanto um vinho pode ser considerado varietal se contiver de 85% a 100% de uma uva principal (essa porcentagem varia conforme a legislação de cada país) e o restante com outras uvas.

No Brasil, um vinho varietal precisa ter ao menos 75% da variedade da uva indicada no rótulo e os restantes 25% vão depender da escolha do enólogo.

 

Mas voltemos… existem vários tipos de vinhos de corte e para que não fique muito cansativo, neste post vamos citar quatro deles:

– Corte Bordalês, originário da região de Bourdeaux no sudoeste da França: mistura as uvas tintas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot;

– Corte Champenoise, originário da região de Champagne no nordeste da França: mistura as uvas tintas Pinot Meunier e Pinot Noir e a branca Chardonnay;

– Corte Supertoscano, originário da região da Toscana, porção central da Itália: mistura as uvas tintas Sangiovese, Cabernet Sauvignon e Merlot (em alguns rótulos ela é opcional);

– Corte GSM, originário da região sul do Vale do Rhône na França: mistura as uvas tintas Grenache (G), Syrah (S) e Mourvèdre (M).

 

Mas seja qual for o vinho que você pretenda degustar, certamente a escolha por tomar um vinho já foi uma decisão acertada!

Pode ser um varietal ou um blend, um tinto, um branco ou um rosé, que passou por madeira ou produzido em tanques de inox … de sobremesa ou fortificado, não importa.

Um vinho sempre vai revelar segredos interessantes!

Seja pela escolha do terreno onde as uvas foram plantadas, seja pelas características que cada uva concede quando o vinho é produzido, seja por conta das experiências que o enólogo quis compartilhar, seja pelo simples prazer de se degustar uma taça de vinho… Afinal o vinho é a bebida da interação, da união, da confraternização, do prazer, da alegria!

Deguste sempre e com responsabilidade! Mas sem deixar de se envolver por completo, entendendo o que cada rótulo produzido quer nos revelar ou  nos instigar a descobrir!

Vinho: vida longa, feliz e saudável!

 

 

 

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